10 ANOS DA CONQUISTA INTERNACIONAL NO INESQUECÍVEL ANO DO CENTENÁRIO

Nesse 26 de Setembro, o Santos comemora 10 anos da conquista da Recopa Sul-Americana de 2012, quando venceu a Universidad de Chile no lotado Pacaembu, abrilhantando ainda mais a conquista da Libertadores do ano anterior e dando de presente para a torcida mais um troféu no ano do Centenário santista.  O título da Recopa Sul-Americana de 2012 foi o segundo conquistado pelo Peixe, o primeiro no formato onde os campeões da Copa Libertadores e Copa Sul-Americana se enfrentam. Quando venceu em 1968, a competição reuniu os times da América do Sul que haviam sido campeões mundiais, já que a Recopa Sul-Americana dava vaga para a Recopa Mundial, enfrentando as equipes europeias, competição na qual o Santos também se sagrou campeão após vencer a Internazionale de Milão.  A DECISÃO   A Recopa foi decidida em dois jogos, sendo o de ida na casa do campeão da Copa Sul-Americana, e o da volta na casa do campeão da Copa Libertadores. Na primeira partida no Chile, o Estádio Nacional recebeu cerca de 45 mil pessoas para empurrar a “La U”. Mas quem dominou as ações da primeira etapa foi o Santos, perdendo diversas oportunidades de abrir o marcador, entre elas um pênalti desperdiçado por Neymar, após o craque santista escorregar na cobrança. Já no segundo tempo, a partida ficou mais equilibrada, os chilenos pressionaram enquanto o Peixe levava perigo nos contra-ataques, mas nenhuma das equipes foi feliz ofensivamente e o jogo acabou com um empate sem gols, levando a decisão para São Paulo, onde a torcida santista já preparava uma grande festa no Pacaembu.  Todos os elementos necessários para uma grande decisão estavam prontos, o ano de centenário do clube e a recém conquista do Paulista impulsionaram os torcedores a encherem o estádio Paulo Machado de Carvalho. O Santos, escalado por Muricy Ramalho, foi a campo com Rafael, Bruno Peres (Éwerton Páscoa), Bruno Rodrigo, Durval, Léo (Gérson Magrão), Adriano, Arouca, Felipe Anderson, Patito Rodríguez (Miralles), Neymar e André. Uma curiosidade é que a Universidad de Chile era comandada por um futuro conhecido da torcida santista, Jorge Sampaoli.  A partida começou tensa, a equipe chilena começou melhor e teve as melhores chances logo no início. Mas aos 27 minutos, Léo interceptou um lançamento no campo defensivo, aplicou uma caneta no adversário e lançou Felipe Anderson na ponta esquerda, que após colocar na frente, achou Neymar na entrada da área, o Menino da Vila tabelou com André e colocou no cantinho direito do goleiro Johny Herrera, um belo gol para abrir o placar da decisão. Ainda na primeira etapa, o trio de ataque do Peixe formado por Felipe Anderson, Neymar e Patito Rodriguez infernizou a defesa da Universidad de Chile, mas não concretizou as oportunidades em gol.  Na segunda etapa, o Santos continuou em cima pressionando e aos 15 minutos, após falta cobrada na área, Bruno Rodrigo subiu de cabeça e colocou a bola para dentro, aumentando a vantagem alvinegra e trazendo tranquilidade ao time santista, acostumado com decisões.  Os Meninos da Vila continuaram o show até os minutos finais, colocando em evidência a superioridade do Santos e garantindo o nono título oficial internacional da história santista, em pleno centenário.  Foi o sexto título em três anos para a geração de Neymar e Ganso, certamente um time marcado na história do futebol brasileiro e mundial.

ARGÉLIA, O PONTO FINAL DA EXCURSÃO DE 1969Argélia

No dia 9 de fevereiro de 1969, o último compromisso da viagem ao continente africano. O Santos enfrentou a Seleção da Argélia na presença de 50 mil espectadores que abarrotaram o Estádio Ahamed Zabana, em Oran. O Santos, cansado da maratona de jogos, fez uma exibição simples que garantiu o empate em 1 a 1. O único gol do Santos foi marcado por Toninho e o time, comandado por Antoninho, formou com Laércio, Turcão (Oberdan), Paulo, Joel Camargo e Rildo; Lima e Negreiros; Manoel Maria, Toninho (Douglas), Pelé e Edu. A emoção ficou mesmo para o gol argelino, marcado por Freha, aos 31 minutos da etapa complementar. Os torcedores não seguraram a vibração e invadiram o gramado. Ao final da partida, Pelé correu para o vestiário. A lembrança da passagem do Santos no país africano ficou pela homenagem depois do jogo. O túmulo de Floriano Peixoto, jogador santista entre 1930 e 1933, recebeu uma coroa de flores da delegação. Floriano foi para Argélia trabalhar como técnico, onde faleceu e foi sepultado.

Marrocos, a primeira e última partida contra uma equipe africana

Marrocos, a primeira e última partida contra uma equipe africana Por Gabriel Pierin, do Centro de Memória A primeira exibição do Santos na África ocorreu em 1960, no Marrocos. Em 19 de junho, na presença do príncipe Muley Hassan e do Primeiro Ministro marroquino, o Peixe ficou no empate contra o Deportivo Español. Um público de 18 mil pessoas estiveram no Stade Mohamed V, em Casablanca para ver Dorval e Coutinho marcarem pelo Santos na partida que terminou em 2 a 2. Nessa partida histórica, o técnico Lula levou a campo Laércio, Calvet, Mauro e Zé Carlos; Formiga e Urubatão; Dorval, Mangálvio, Coutinho, Pelé e Tite. O último jogo Curiosamente, o único jogo do Santos com uma equipe africana fora do continente africano aconteceu no dia 29 de janeiro de 2017, no Estádio do Pacaembu, contra o Kenitra do Marrocos. Um público pagante de 15 330 pessoas prestigiou o confronto entre brasileiros e marroquinos, marcando o início da temporada de 2017. As novidades para o ano foram as contratações de Matheus Ribeiro, junto ao Atlético GO, Cléber Reis, do Hamburgo/Alemanha, Leandro Donizete, do Atlético MG, Vladimir Hernandéz, do Barranquila/COL, Kayke, do Yokohama Marinos/JAP e Bruno Henrique, do Wolfsburg/ALE. O time comandado por Dorival Junior, foi a campo com Vanderlei (João Paulo), Victor Ferraz (Matheus Ribeiro), Lucas Veríssimo (Léo Cittadini), Yuri (Rafael Longuine) e Zeca (Fábian Noguera); Thiago Maia (Thiago Ribeiro), Renato (Caju), Lucas Lima (Jean Mota) (Thaciano) e Vitor Bueno (Arthur Gomes); Copete (Vladimir Hernández) e Rodrigão Gomes (Kayke). Na partida, o Santos dominou completamente o Kenitra, impôs o ritmo do jogo, e goleou o adversário por 5 a 1. O destaque da partida ficou por conta do gol do colombiano Vladimir Hernandez. O novo reforço do Santos recebeu o cruzamento, levantou a bola e finalizou com uma bicicleta, justificando o apelido de “Pequeno Gigante”. Os outros gols foram assinalados por Rodrigão Gomes (31’), Vitor Bueno (34’ e 61’) e Thiago Ribeiro (82’). Curiosidades Por intermédio do patrocinador do Santos, Royal Air Maroc, o Santos bicampeão paulista, fazia a sua partida inaugural em 2017. Do elenco atual, apenas o goleiro João Paulo estava entre os comandados para a partida, e entrou em campo aos 21 minutos da etapa complementar. Com esse resultado, o Santos alcançou sua 16ª vitória consecutiva no Pacaembu, tornando-se o único time a atingir essa marca no Estádio.

O Rei do Futebol na terra dos faraós

No domingo, dia 18 de fevereiro de 1973, o popular Ah-Ahly recebeu o Santos no Cairo, Egito. O país foi o primeiro representante do continente africano a participar de uma Copa do Mundo, a da Itália, em 1934. Porém o que os egípcios queriam ver era o famoso time do Santos. Mais de cem mil pessoas se espremeram além da capacidade do Estádio Nacional do Cairo para ver o duelo, que teve arrecadação recorde de 140 mil dólares. Todos queriam ver a equipe escalada pelo técnico Pepe jogar com Cláudio, Hermes, Marinho Perez, Vicente e Zé Carlos; Clodoaldo (Leo Oliveira) e Brecha; Manoel Maria (Jair da Costa), Euzébio (Alcindo), Pelé e Edu. O domínio da partida foi dos santistas. Com dois gols de Pelé, e os outros de Alcindo, Edu e Zé Carlos, o Santos goleou o time local por 5 a 0. Antes da partida, Pelé e o Santos receberam uma comenda.

O espetáculo santista em Moçambique

Na excursão de 1969, o Santos percorreu o continente africano, passando por seis países, entre eles a colônia portuguesa, Moçambique. Foi em Lourenço Marques, antiga capital da colônia, localizada na costa oriental da África, que o Peixe enfrentou o Áustria Viena, então campeão austríaco. Naquele dia 1º de fevereiro, o Santos jogou muita bola e venceu o Áustria, por 2 a 0, com gols de Lima e Toninho. A imprensa da África Portuguesa apontou o confronto como o maior espetáculo já visto em Moçambique. Essa partida antecedeu a histórica passagem do Santos pela Nigéria quando a guerra parou para ver o Peixe jogar. Quase 50 anos depois, Moçambique voltou aos holofotes do clube, quando o garoto João Chico ficou conhecido na internet ao ser fotografado vestindo uma camisa do Santos na comunidade de Nhahminjale, pela embaixadora Rafaella Kalimann. A imagem rapidamente ganhou destaque nas redes sociais. Logo em seguida, o Santos fechou uma parceria com a ONG Missão África e estampou em seu uniforme o símbolo do projeto nas partidas contra Palmeiras e Flamengo, pelo Brasileirão. O clube doou R$ 38 mil à ONG em uma campanha. No dia 5 de novembro de 2018, os ídolos eternos Lima e Edu visitaram o garoto João Chico em sua comunidade, quase meio século depois da histórica Excursão na África. Santos e Rafa Kalimann em Moçambique

Encontro de Majestades

No conturbado ano de 1968, marcado pelo auge da Guerra Fria e pelo assassinato de Martin Luther King, ativista negro que lutou pela igualdade de direitos, a rainha Elizabeth II da Inglaterra curvou-se para o Rei do Futebol, Pelé. Era o dia 10 de novembro e o mundo presenciava o encontro extraordinário de majestades no templo do futebol, o Maracanã. O desejo da rainha foi atendido e a partida entre as seleções paulista e carioca aconteceu num clima amistoso. A seleção carioca, com seu tradicional uniforme azul, entrou em campo com Félix, Moreira, Brito, Leônidas e Paulo Henrique; Carlos Roberto, Gérson e Paulo César; Nado, Jair e Roberto. Nada menos do que seis jogadores santistas, além do técnico Antoninho Fernandes, compunham a Seleção Paulista. Carlos Alberto, Rildo, Clodoaldo, Pelé, Toninho Guerreiro e Abel vestiram as camisas listradas em preto e branco, com detalhes vermelhos na gola e formaram com Picasso, Jurandir, Dias, Rivelino e Paulo Borges, o elenco paulista. Os ilustres visitantes ocuparam as cadeiras de honra do estádio e assistiram Pelé marcar o 900º gol de sua carreira para o entusiasmo dos 100 mil torcedores que ocuparam as arquibancadas. A Seleção Paulista venceu o confronto por 3 a 2 e garantiu o prêmio de um milhão de cruzeiros. Foi das mãos da rainha que Pelé, ao lado do capitão dos cariocas, Gérson, recebeu a taça. Ao ser apresentada ao Rei do Futebol, a rainha teria dito a seguinte frase: “Eu sei. Já o conheço de nome e me sinto muito feliz em cumprimentá-lo”. Passadas quase três décadas, um novo encontro entre as majestades. Na ocasião em que foi Ministro do Esporte, em 1997, Pelé recebeu o título de Cavaleiro da Coroa Britânica. Hoje, após 54 anos do evento memorável no Maracanã, o mundo se despediu da rainha Elizabeth. Ela deixa um legado enorme ao povo britânico e o respeito e a admiração de todo o povo brasileiro. Gabriel Pierin, do Centro de Memória

60 ANOS DA CONQUISTA DA AMÉRICA

Foi numa quinta-feira, dia 30 de agosto de 1962, há exatos 60 anos, que o Santos venceu o Peñarol por 3 a 0, em Buenos Aires, e tornou-se Campeão da Libertadores pela primeira vez na sua história. No primeiro jogo da final entre as duas equipes o Santos venceu em Montevidéu por 2 a 1, mas perdeu o segundo por 3 a 2, na Vila Belmiro. O resultado foi bastante contestado, mas a Confederação Sul-Americana seguiu a decisão do árbitro Carlos Robles, forçando a terceira partida. Para chegar até a final e conquistar o título, o Alvinegro passou com tranquilidade pela fase de grupos. Com dois triunfos sobre o Deportivo Municipal, da Bolívia, um empate e uma histórica goleada por 9 a 1 em cima do paraguaio Cerro Porteño, o Peixe se classificou em primeiro lugar e assim avançou para a semifinal contra a Universidade Católica, do Chile. Na primeira partida, em Santiago, o adversário criou muitas dificuldades. Lima abriu o placar, mas os chilenos empataram minutos depois e assim terminou o jogo. Na Vila Belmiro, Zito fez o único gol da partida, garantindo o Peixe na grande final diante do forte Peñarol, à época bicampeão da Taça Libertadores e Intercontinental (Mundial). Na condição de último campeão da América, o time uruguaio garantiu a vaga direta na semifinal. A disputa foi contra o Nacional, também do Uruguai. O Peñarol passou pelo rival e estava novamente em uma decisão, mas agora ele tinha o poderoso Santos pela frente. Noite das Garrafadas Para conquistar o seu primeiro título continental, o Santos demonstrou não só toda a sua enorme qualidade técnica, mas também muito espírito de luta. Os três jogos com o Peñarol foram verdadeiras batalhas e o Alvinegro soube superar todas as adversidades. Sem Pelé, machucado, substituído por Pagão, o Santos iniciou a disputa pelo título jogando em Montevidéu. O time uruguaio saiu na frente aos 18 minutos de jogo. Coutinho empatou aos 28, e aos 15 minutos da etapa complementar fez o gol que sacramentou a virada e a vitória do Peixe. Com o triunfo, bastava apenas o empate na Vila Belmiro. E o resultado veio, mas para o árbitro, não. O Peñarol saiu na frente e o Santos virou ainda no primeiro tempo. No início da segunda etapa os uruguaios empataram e na sequência viraram, com um gol de pênalti, aos 11 minutos. A penalidade foi muito contestada pelos atletas e torcedores e um princípio de confusão foi iniciado, com garrafas sendo atiradas no campo. Aos 22 minutos, Pagão fez o terceiro, empatando o jogo. Ao final da partida, a torcida comemorou o título e no dia seguinte os jornais estamparam o Peixe como o campeão. Porém, não foi exatamente isso que o árbitro Carlos Robles relatou. Na súmula, entregue no dia seguinte, ele citou invasões, ameaças e agressões e afirmou que, temendo algo pior, encerrou a partida quando estava 3 a 2 para os uruguaios, considerando o restante do jogo como um “amistoso”. A Grande Final A vitória do Peñarol provocou a terceira e derradeira partida, marcada em um campo neutro, o Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. No dia 30 de agosto o estádio recebeu 45 980 pagantes para testemunhar o que se revelou uma autêntica aula de futebol. Pela primeira e única vez na competição, o time santista jogou com sua formação completa, o chamado “Time dos Sonhos”. Com Pelé recuperado da contusão muscular, o time atuou com Gylmar, Lima, Mauro e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, dirigidos por Luiz Alonso Perez, o Lula. O Peñarol enfrentou o Santos com Maidana, Gonzales e Lezcano; Gonçalves, Cano e Caetano; Rojas, Sacía, Spencer, Matosas e Joya. Decidido a resolver logo a partida, o Santos partiu para o ataque. Aos nove minutos Coutinho recebeu na entrada da área, cortou para a esquerda, penetrou e bateu na saída do goleiro Maidana. O defensor Caetano tentou evitar o gol e acabou chutando contra sua própria meta. Na volta do intervalo, o Peixe voltou com a mesma determinação. Aos três minutos, a triangulação entre Dorval, Coutinho e Pelé terminou com um chute do Rei no canto esquerdo, depois de tirar um zagueiro da jogada. Santos 2 a 0. Sem forças para reagir, o campeão mundial estava dominado.  Aos 44 minutos, quando boa parte da torcida uruguaia deixava o estádio, mais uma vez a dupla Pelé e Coutinho entrou em ação, e após passe do centroavante, o Rei só completou para as redes, decretando a vitória histórica por 3 a 0. Era a terceira edição da Taça e pela primeira vez um time brasileiro sagrava-se o maior do continente, abrindo o caminho para conquistar o mundo. Volta Olímpica e Pelé sem roupa Eufórica, parte da torcida correu para o gramado para comemorar com os jogadores. O mais procurado era Pelé. Autor de dois gols, o Rei foi despido pela torcida que disputava com fúria seu uniforme. Os demais jogadores foram carregados e somente depois o quadro conseguiu se reunir para dar a sonhada volta olímpica e saudar os torcedores que ainda se mantinham em suas cadeiras. O árbitro rouba a bola Enquanto os jogadores festejavam o título inédito para o futebol brasileiro, o árbitro holandês Leo Horn apoderou-se da bola. Diante da insistência de outros interessados, ele apenas afirmou que a bola só reapareceria na Holanda. Para ele, a recordação era um troféu pela partida mais importante e brilhante que tinha apitado. Até os hermanos se rendem aos brasileiros Nos primeiros minutos de jogo, a torcida argentina procurou incentivar os jogadores do Peñarol contra os desafiantes. Porém, aos poucos, o Santos conquistou o público que antes do término da primeira etapa já aplaudia as belas jogadas do quadro brasileiro. Ano de ouro Nenhum outro time comemorou um Cinquentenário como o Santos em 1962. Além da Libertadores, o clube venceu as outras três competições oficiais que disputou: o Campeonato Paulista, o Brasileiro, e o Intercontinental, ou Mundial Interclubes.

Santos vence Camarões pela última partida na África

O Santos terminou de forma invicta a excursão pela África, em 1983. A invencibilidade na sua última passagem pelo continente foi garantida com uma vitória por 2 a 1 sobre a forte Seleção da República de Camarões, no dia 21 de agosto. No ano anterior, a equipe africana surpreendeu na Copa do Mundo da Espanha, ao ser eliminada sem perder nenhuma partida, inclusive empatando com a Itália, campeã da competição. Parte desse elenco estava relacionado para enfrentar os brasileiros. Empolgados com o espetáculo, 20 mil torcedores lotaram o Estádio Nacional, na cidade de Yaounde. Entre eles estava o Ministro dos Esportes, Eteki Mboumoua, que teve a honra de dar o pontapé inicial na partida. O Santos não se intimidou com o retrospecto da seleção camaronesa e abriu o marcador logo aos nove minutos. Depois de uma tabela com Paulo Isidoro, o ponta-esquerda João Paulo finalizou para as redes. O gol trouxe tranquilidade para a equipe. Os meias Isidoro e Pita articulavam bem as jogadas para o ataque e Lino quase marcou o segundo. Somente a partir dos 30 minutos a seleção africana equilibrou o jogo, ameaçando o gol de Marolla. No segundo tempo o técnico Rade Ognanovic modificou a equipe e passou a explorar os espaços deixados pelo lateral Gilberto Sorriso que descia para o ataque. Foi desse lado do campo que Camarões criou suas melhores chances. O empate saiu aos 21 minutos, após uma cobrança de escanteio que o atacante Bahoken desviou de cabeça. Os brasileiros protestaram com a arbitragem, alegando toque de mão, mas a pressão de nada adiantou. A resposta viria ao estilo do futebol brasileiro. Aos 38 minutos o habilidoso Pita tomou a bola no meio do campo, saiu driblando todo mundo, invadiu a área e foi derrubado. Lino cobrou e marcou o pênalti, dando os números finais ao jogo. O Peixe mais uma vez conquistava a admiração e o respeito do povo africano pelo futebol brasileiro. Dali, a equipe partiria para a Espanha, em mais uma gloriosa exibição do Santos do Mundo. Ficha Técnica Santos 2 x 1 Seleção de Camarões Local: Estádio Nacional – Yaounde. Público: 20 000. Santos: Marolla, Betão, Davi, Fernando e Gilberto Sorriso; Dema, Paulo Isidoro e Pita; Lino, Serginho Chulapa (Serginho Secundino) e João Paulo (Careca). Técnico: Chico Formiga. Camarões: Songo (Nke), Toube, Doumblem, Ndjeya e Mbassi; Abega, Kunde e Aoudon; Nguea, (Bahoken), Ebongue e Djonep. Árbitro: Hioba.

Santos e Seleção do Congo levam 50 mil pessoas à loucura

O Santos ficou só no empate contra a Seleção do Congo, na segunda partida da excursão na África, em 1983. O jogo aconteceu no Estádio da Revolução, em 16 de agosto e contou com a presença do presidente da República do Congo, Dênis Sassou-Nguesso, além de ministros e secretários do Partido Congolês do Trabalho. O prestígio do Santos não se fazia por menos. Em 1969, na sua última passagem pelo Congo, o encontro teve a participação de Pelé entre os demais astros santistas. Para garantir lugar no espetáculo, depois de 14 anos, a torcida se manifestou logo nas primeiras horas do dia. A movimentação entorno do estádio começou às 10 horas da manhã. Os jogadores santistas entraram em campo portando uma faixa saudando o presidente congolês e a torcida anfitriã. Da Tribuna de Honra do estádio, o presidente do Santos, Ernesto Vieira assistiu ao jogo junto com os membros do corpo diplomático do país. Talvez pelo cansaço do jogo anterior, a exibição santista foi bem discreta, mas isso não diminuiu o ânimo da torcida que vibrou muito durante toda a partida. O primeiro tempo foi marcado pela pressão do time africano que se lançou rápido ao ataque. Em poucos minutos a Seleção do Congo já tinha criado três oportunidades de gols. O Santos procurava tocar a bola, tentando vencer o gramado ruim. A jogada de maior perigo ao gol adversário aconteceu somente aos 36 minutos, depois que Paulo Isidoro desviou o cruzamento de João Paulo e Serginho Chulapa deixou a bola passar para Lino acertar um forte chute no travessão. No segundo tempo o estádio quase veio abaixo quando, aos 11 minutos, Nilandou acertou um chute indefensável do bico da área, abrindo o marcador. O Santos saiu do sufoco e arrancou o empate aos 23 minutos. O goleiro Marola lançou João Paulo livre no meio campo. O ponta-esquerda aproveitou a defesa desprotegida, invadiu a área, esperou a saída do goleiro e finalizou por cobertura. A partida terminou empatada em 1 a 1. Os jogadores trocaram camisas e posaram para fotos. O capitão Gilberto recebeu a taça comemorativa das mãos do presidente congolês, alusiva ao 20º aniversário de independência do país. Ficha Técnica Santos 1 x 1 Seleção do Congo Local: Estádio da Revolução – Brazzaville, República do Congo. Público: 50 000. Santos: Marolla, Betão (Toninho Oliveira), Davi (Pagani) (Paulo Robson), Fernando e Gilberto Sorriso; Dema, Paulo Isidoro e Pita; Lino, Serginho Chulapa (Serginho Secundino) e João Paulo (Careca). Técnico: Chico Formiga. Pointe-Noire: Ukambou, Mkeono, Owamat, Gatsono e Okouo-Akaba; Kokolo (Tbemba Lobilo), Fouka e Niaka-Mana; Nilandoy, Abemba-Jacqout (Okandse) e Mandounou (Okou). Árbitro: Obambet.

Santos vence a Seleção de Pointe-Noire na estreia

A excursão do Santos para a África, em 1983, começou com vitória. De nada adiantou o treinamento intenso e o espírito de luta do selecionado de Pointe-Noire, da República do Congo. O Alvinegro dominou o jogo e derrotou a equipe local por 2 a 0. A estreia do Peixe contra os africanos, no dia 15 de agosto, levou 30 mil pessoas para o Estádio Cassimil Musula Lea e não decepcionou a torcida, empolgada com o ilustre visitante. O Santos jogou bem e poderia ter vencido por um placar maior se não tivesse desperdiçado várias chances de gol. Tanto que o primeiro demorou a sair. Serginho Chulapa tinha perdido duas oportunidades e o lateral Gilberto outra, quando aos 42 minutos, Pita fez linda jogada. O meia driblou dois zagueiros e finalizou com um leve toque por cobertura, sendo bastante aplaudido. O domínio do Alvinegro continuou no segundo tempo, mas a bola teimava em não entrar. Aos 42 minutos, finalmente Serginho deixou sua marca. Ele recebeu passe de Dema e bateu firme para fazer 2 a 0. Os africanos não se abalaram com o resultado negativo. O técnico Gaston Changalan ressaltou a oportunidade de levar essa experiência para os seus jogadores e torcida: “Esses brasileiros são mágicos”. Para o técnico do Santos, Chico Formiga, o time merecia mais sorte, mas reconhece que as condições ruins do campo dificultaram o domínio da bola e o resultado foi importante para dar moral, pois no dia seguinte o Peixe enfrentaria a forte Seleção do Congo. Ficha Técnica Santos 2 x 0 Seleção de Pointe-Noire Local: Estádio Cassimil Musula Lea – Pointe-Noire, República do Congo. Público: 30 000. Santos: Marolla, Betão, Davi, Fernando e Gilberto Sorriso (Paulo Robson); Dema, Paulo Isidoro e Pita; Lino (Serginho Secundino), Serginho Chulapa e João Paulo (Careca). Técnico: Chico Formiga. Pointe-Noire: Kouika, Malonga, Makaya, Doudi e Passou; Loemba, Don Boukoulou e Ipolo; Ndaye, Poaty Loemban e Mahoungou. Árbitro: Kakolo Jean Louis.