Expulso, Pelé volta a campo a pedido do público. E quem sai é o árbitro

Pelé, o maior jogador que já existiu, promovia momentos únicos. Em 17 de julho de 1968, a última partida da excursão internacional do Santos ficou marcada por um fato inusitado. Após ser expulso, Pelé retornou ao jogo a pedido do público e quem acabou retirado de campo foi o árbitro Guilhermo Velázques. No jogo que encerrava a excursão, o adversário era a Seleção Olímpica da Colômbia, no estádio El Campín, em Bogotá. A equipe santista já havia visitado Itália, Suíça, Alemanha, Estados Unidos e Canadá, e realizado 14 partidas, com 12 vitórias e apenas duas derrotas. O amistoso teve a presença de aproximadamente 60 mil pessoas, e o Peixe foi escalado pelo técnico Antoninho com Gylmar (Laércio), Oberdan, Ramos Delgado, Orlando e Turcão; Mengálvio e Lima (Eliseu); Manoel Maria (Abel), Toninho (Douglas), Pelé e Pepe. A partida começou com a equipe santista tomando a iniciativa, e logo aos quatro minutos Toninho Guerreiro abriu o marcador. Dois minutos depois, Arango empatou para a Colômbia. Os atletas santistas cercaram o árbitro reclamando impedimento, e Lima, o mais exaltado, foi expulso de campo. Armou-se uma grande confusão e só após um longo tempo o jogo foi retomado. A equipe colombiana virou a partida, com gol de Gonzalez, mas a reação do Peixe não demorou muito. Com um chute rasteiro, Pelé empatou novamente o jogo. Aos 35 minutos, um lance dentro da área colombiana mudou a história da partida. Em um ataque do Santos, Pelé foi derrubado e o árbitro Guilhermo Velázques ignorou a falta. O camisa 10 gritou por pênalti diversas vezes. Alegando que o Rei do Futebol o havia xingado, Velázques, também conhecido como “El Chato”, expulsou o astro do espetáculo. Uma nova confusão começou. Os santistas foram pra cima do árbitro, empurrões foram trocados e a polícia colombiana entrou em campo para apaziguar os ânimos. Porém, os mais enfurecidos estavam fora do gramado. O público começou a protestar nas arquibancadas, pedindo que Pelé retornasse ao jogo, pois havia pagado ingresso para ver o melhor time do mundo, com o melhor do mundo em campo. Depois de muita discussão, o Atleta do Século retornou ao jogo, e quem saiu de campo foi o árbitro Velázques. O auxiliar Omar Delgado assumiu o lugar de “El Chato” e o primeiro tempo foi encerrado. No segundo, o Santos virou o placar, com gols de Toninho aos sete e Pepe aos 20 minutos. A partida foi encerrada com o placar de 4 a 2 para o time santista, mas nos bastidores o jogo continuou. O árbitro expulso, com um olho inchado devido a uma pancada de autor desconhecido, foi até a delegacia apresentar queixa contra os jogadores do Santos. A equipe santista foi levada ao local, assim como dirigentes do futebol colombiano. Após horas, a delegação alvinegra foi liberada. O árbitro Guilhermo Velázques terminou suspenso por 25 dias por incapacidade técnica e os atletas do Santos fizeram um pedido de desculpas pelas retaliações a “El Chato”. Por fim, após mais uma movimentada e vitoriosa excursão, encantando por onde passasse e superando qualquer obstáculo, o Peixe voltou ao Brasil no dia 19 de julho, pronto para novas aventuras.

Santos a um passo de uma nova conquista mundial

Naquele dia 22 de maio de 1969 o homem chegava bem próximo da Lua. Apenas 15 quilômetros separavam o ser humano de sua conquista. Neste mesmo dia o Santos venceu a Recopa Sul-Americana de 1968 e ganhou o direito de representar a América na Recopa Intercontinental.   A Recopa Sul-Americana foi um torneio de pontos corridos. A equipe com maior pontuação sagrava-se campeã e garantia a vaga para o confronto mundial. Participaram do torneio apenas os campeões sul-americanos da chamada “Taça Intercontinental”, que na prática equivalia ao título mundial interclubes: Santos (1962/63), Peñarol (1961/66) e Racing (1967).   O Santos venceu as duas partidas do turno. No confronto contra o Racing, no Palestra Itália, ganhou por 2 a 0 e, no Maracanã superou o Peñarol por 1 a 0. No returno, jogando em Avellaneda, na Argentina, venceu o anfitrião Racing por 3 a 2, em um confronto sensacional e uma exibição brilhante da equipe, mesmo sem Pelé em campo.   O Peixe começou perdendo da equipe argentina, virou o jogo no início do segundo tempo, com dois gols do artilheiro Toninho Guerreiro, e sofreu o empate aos 42 minutos. Um minuto depois, porém, veio o lance derradeiro: o habilidoso Negreiros percebeu o goleiro Cejas adiantado e chutou de longe, fazendo o gol da vitória.   Naquela noite fria e chuvosa de 16 de abril o time de Antoninho formou com Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Manoel Maria, Toninho Guerreiro, Douglas e Edu. Com o triunfo, o Santos se consolidou na liderança, com seis pontos ganhos (na época vitórias valiam dois pontos).   O Peixe cruzou o Rio da Prata e seguiu para o Uruguai em clima de final. Bastaria um empate e o Peñarol não alcançaria mais o líder. Contudo, naquele 19 de abril o Alvinegro foi surpreendido e perdeu por 3 a 0. O meia-atacante Pedro Rocha, “Verdugo”, fez jus ao apelido de carrasco e marcou dois gols.   Com uma mão na taça o Peñarol foi para a Argentina encarar o já desclassificado Racing. Uma vitória simples naquela quinta-feira, 22 de maio, e o clube uruguaio ficaria com o título e a vaga para disputar a Recopa Mundial com o campeão europeu. Um empate ou uma vitória do Racing e a taça viria para a Vila Belmiro.   A rivalidade sul-americana falou mais alto. O Racing, que não havia pontuado na competição, arrancou um heroico empate. Basile, contra, marcou para o Peñarol aos 12 minutos, mas Da Silva empatou para o Racing aos 44, ainda no primeiro tempo.   Os hermanos argentinos acabaram com o sonho uruguaio e o Santos se tornou campeão da 1ª Recopa Sul-Americana, enquanto o homem se aproximava da Lua, na missão Apollo 10.   O triunfo coroava a supremacia santista na década de 1960. Com a conquista, o time de Vila Belmiro iria para a Itália enfrentar a Internazionale, outro bicampeão Intercontinental (1964/65), por mais um título de abrangência mundial.   Em 20 de julho de 1969 o homem finalmente pisou na Lua. Alguns dias antes, em Milão, o Santos conquistou, mais uma vez, o planeta Terra. Mas esta é uma história para ser contada em 24 de junho.

A vitória do Brasil sobre a Alemanha com 8 jogadores do Santos

No dia 5 de maio de 1963, o Brasil bateu a Alemanha Ocidental por 2 a 1, no Estádio Volkspark, em Hamburgo. O amistoso garantiu a primeira vitória da Seleção Brasileira contra os alemães, que contou com nada menos do que oito jogadores do Santos entre seus titulares. Gylmar, Lima, Zito, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe atuaram os 90 minutos ao lado de Eduardo (Corinthians), Roberto Dias (São Paulo) e Rildo (Botafogo). O número de santistas naquela partida poderia ter sido ainda maior, mas o zagueiro Mauro estava contundido e teve que ficar de fora. Com a prestigiada Seleção Brasileira, bicampeã mundial de futebol, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD, atual CBF) organizou uma extensa excursão pela Europa. Foram sete jogos em 22 dias, em diversas cidades europeias: Lisboa, Bruxelas, Paris, Amsterdã, Hamburgo, Londres e Milão. O início da campanha no exterior foi desastroso. A Seleção só conquistou uma vitória nas quatro primeiras partidas, perdendo as outras três. O mais preocupante é que a quinta partida seria contra a Alemanha Ocidental, que já se preparava para a Copa de 1966, na Inglaterra (na qual só perderia a polêmica final, para os ingleses). Parte da imprensa temia um novo fracasso dos brasileiros: “Derrotar a Alemanha, dentro da sua fortaleza inexpugnável que é o velho Volkspark Stadion, poderá parecer a muita gente façanha impossível por causa do penoso estado em que se encontra a nossa indigente e desnorteada seleção”, publicou o carioca Jornal dos Sports, em sua edição de 5 de maio de 1963. Diante desse cenário o técnico Aymoré Moreira resolveu apelar para o entrosamento dos santistas. Com oito jogadores do Peixe no time, o treinador brasileiro sabia que tinha muito mais chances diante da forte seleção alemã. Mais de 72 mil pessoas lotaram as arquibancadas do estádio, gerando a expressiva renda de 163 milhões de cruzeiros. Escalada pelo técnico Sepp Herberger, a Alemanha Ocidental se apresentou com Fahrian, Nowak, Schnellinger, Shulz e Wilden, Werner, Heiss e Schutz, Uwe Seeler, Konietzka (depois Strehl) e Dorfel. O jogo, arbitrado pelo suíço Gottfried Dienst, começou às 12 horas, pelo horário de Brasília. Os donos da casa abriram o placar aos 44 minutos da primeira etapa. O volante Zito derrubou Konietzka dentro da área e o zagueiro Werner converteu em gol. No segundo tempo, a maravilhosa dupla Coutinho-Pelé entrou em ação. Aos 25 minutos, os dois tabelaram e Coutinho ficou livre para empatar a partida. Dois minutos depois, em jogada iniciada por Coutinho, Pelé entrou na área adversária e marcou o gol da virada brasileira. O jogo prosseguiu bem disputado até o final, com mais chances de gol para os alemães, mas o Brasil resistiu e conseguiu a vitória mais significativa daquela excursão. O primeiro triunfo dos brasileiros sobre os alemães teve imensa contribuição do Alvinegro Praiano (os alemães haviam vencido o único confronto entre os países, disputado nas Olimpíadas de 1952, na Finlândia), provando que o time do Santos na década de 60 era mesmo uma Seleção. SeleSantos Durante dez anos não houve uma só partida da Seleção principal do Brasil que não contasse com mais de um titular santista. Nesse período, a Seleção fez nada menos de 35 partidas com, no mínimo, cinco titulares do Santos: foram 16 jogos com cinco santistas; 12 com seis; dois com sete e cinco jogos com oito titulares – entre estes a histórica vitória sobre a Alemanha Ocidental, há 59 anos.

Há 110 anos, nascia o Santos Futebol Clube

Parecia uma quinta-feira qualquer na vida dos santistas. Como fazia todas as manhãs antes do trabalho, Harold Cross, um descendente de irlandeses, acordou e comprou o jornal Diário de Santos. Uma das notícias lhe chamou a atenção na seção de Sports. Vários sportsmen desta cidade estão empenhados em organizar um poderoso club de football, tendo já para isso, conseguido um vasto e esplendido terreno de propriedade do sr. J.D. Martins, à rua Aguiar de Andrade, no Macuco, onde será instalado o ground da nova sociedade esportiva (…) No próximo domingo, às 2 horas da tarde, haverá uma reunião na sede do clube Concordia, para serem apresentadas as bases do novo clube, eleita a sua diretoria e tomadas outras deliberações atinentes aos fins da nova agremiação esportiva. Era já sensível a falta, entre nós, de um bom clube dedicado ao bello sport do football. Acreditamos que o novo clube venha preencher essa lacuna. Harold ficou entusiasmado com a notícia. Ele era um dos precursores do futebol na cidade e notou que aquele grupo de jovens estava mesmo levando a sério a formação de um clube de futebol. Dias antes ele encontrara Raymundo, Argemiro e Mario Ferraz, da comissão organizadora, quando foi abordado tomando um café na rua Quinze. O futebol precisava ressurgir na cidade. Harold ainda jogava no Clube dos Ingleses. Mas os sócios só disputavam peladas entre si, entre uma partida e outra de críquete. Ele decidiu que era necessário ajudar na formação de um novo clube e participar da fundação. No anunciado dia 14 de abril de 1912, o clima na cidade estava bem agradável para o outono. Naquele domingo à tarde, Harold tomou o bonde até a Praça do Rosário. O Club Concórdia, local escolhido para a reunião, ficava bem próximo. Ele subiu os degraus do prédio e encontrou o amplo salão da sede do clube. A quantidade de jovens lhe chamou atenção. “Alguns são meninos”, pensou. Era fato. Arnaldo Augusto Millon, filho do Capitão Millon, tinha apenas 15 anos. Seu irmão, Adolpho Millon Junior, 16. Outro Arnaldo, o Silveira, sobrinho de Sizino Patusca, era mais um jovem de 17 anos. Harold, no alto dos seus 27, sentiu-se um dos tios daquela garotada. A intenção era mesmo montar um clube destinado ao futebol. Jovens, estudantes e esportistas eram a maioria. Aos poucos, o salão foi enchendo. Harold imaginou que já tivesse quase 40 pessoas quando Raymundo Marques tomou a palavra. Ele explicou a situação do futebol na cidade, desde que o Internacional encerrou suas atividades e o Americano transferiu-se para a capital. As atenções se voltaram para Harold quando Raymundo, respeitosamente, apontou para sua direção, e fez considerações sobre sua trajetória desde a chegada do futebol na cidade. Harold ficou orgulhoso com a lembrança. A seguir Raymundo disse que não pretendia concorrer à presidência. Ele entendia que a experiência lhe faltava. O rapaz disse ter conversado com Sizino Patusca e George Cox e sugeriu que a assembleia aceitasse as suas indicações para presidente e vice-presidente, respectivamente. Os presentes bateram palmas e aprovaram a proposição. Num tom mais leve, Raymundo lembrou aos presentes sobre a falta de um nome para o novo clube. “Os senhores confiaram na ideia e aprovaram a indicação do primeiro presidente, mas não temos nem o nome definido. Como este clube seguirá os princípios democráticos, deixarei que deem suas sugestões. O espaço está aberto”, provocou. Diversos nomes foram falados: África, Brasil, Concórdia, mas não agradaram e acabaram rejeitados. Dar nome para um clube parecia tão difícil quanto escolher o nome de um filho. Foi quando Edmundo Jorge de Araújo, filho do conceituado Sóter de Araújo, teve a atenção voltada para si. “Senhores! Vivemos em Santos. É a nossa cidade. Esse time vai representar a nossa gente, a nossa terra. Por que não Santos? Santos Foot-ball Club?” Edmundo causou um burburinho. Do outro lado, Raymundo parecia convencido. “Vou colocar em votação”. As palmas se espalharam pelo ambiente. Estava fundado o Santos Foot-ball Club. No dia seguinte Harold acordou mais animado para uma segunda-feira. O futebol renascia na sua vida. Saiu para o trabalho e parou na mesma loja de revistas e jornais. Comprou os diários da cidade. Quando chegou ao trabalho, abriu o jornal A Tribuna. A seção de esportes era o que mais lhe interessava naquele momento. Estava lá: Santos Football Club com o nome supra acaba de ser fundado nesta cidade, um clube de football destinado, por certo, a uma vida longa e plena de vitórias, para o que conta com os melhores elementos desta terra. Eis a sua primeira diretoria: Presidente, Sizino Patusca; Vice, George P. Cox; 1º Secretário, José Guilherme Martins; 2º, Raul Dantas; 1º Tesoureiro, Leonel Silva; 2º, Dario Ferraz da Frota. Diretores: Augusto Bulle, João Carlos de Mello, Henrique Tross, Raymundo Marques, Cícero F. de Lima Junior e Camyro Faeter. Cores do novo clube: Branco e azul, com um friso amarelo entre as duas cores.

110 anos de Santos do Mundo!

O Santos, fundado em 1912, estava perto de completar 42 anos quando fez sua primeira viagem internacional. Uma idade avançada se considerarmos que pouco tempo depois se tornaria o primeiro brasileiro campeão mundial (1962) e o primeiro time do planeta a jogar em 70 países de todos os continentes. De lá para cá foram 633 jogos no exterior, com 376 vitórias, 123 empates e 134 derrotas. O Santos, time que mais marcou gols na história do futebol mundial (12 796), deixou sua marca em campos estrangeiros 1566 vezes. Além da chuva de gols pelos gramados internacionais, o Santos encantou torcedores de diferentes nacionalidades por onde jogou. Nesses 110 anos de história, nenhum time do mundo reuniu tantos fatos curiosos, inusitados, gloriosos e tensos na sua existência. Muito além de vitórias e troféus, o futebol move paixões e deixa sua marca por onde passa, mas só o Santos foi capaz de unir povos diferentes, promover espetáculos, parar uma guerra, paralisar uma manifestação, fazer uma revolução, mudar regras do futebol, bater recordes e mais recordes e promover encontros com grandes personalidades políticas e religiosas. O Santos é muito mais do que um time brasileiro. A comemoração dessa data não é apenas para o torcedor santista. É para o futebol mundial. O Santos é do mundo.

Exposição 110 Anos Santos FC é uma das atrações de aniversário do Clube

O apaixonado por futebol tem encontro marcado. De 7 a 14 de abril, o maior time do mundo promove a “Exposição 110 anos Santos FC”, em comemoração ao aniversário do Clube. A mostra, gratuita, fica no Praiamar Shopping, no vão do 2º piso, contará a trajetória do Peixe, através de painéis e eventos, exposições de objetos como bolas, camisas e troféus. Tudo isso em uma incrível cenografia, com um espaço instagramável, para aqueles que quiserem tirar fotos no local. Para quem quiser levar uma lembrança do Clube, haverá um quiosque da Santos Store, além do Espaço Sócio Rei. Praiamar Shopping fica na Rua Alexandre Martins, 80, no Bairro Aparecida, em Santos.

Julien Fauvel, o primeiro goleiro do Santos

Julien Jacques em sua infância estudou em sua terra natal no Liceu Oficial de Le Havre, e depois atravessou o Canal da Mancha, estudando no Saint George College, na Inglaterra, e completou os estudos na Universidade Sorbonne, no Curso de Ciências e Letras, na capital francesa. No transcorrer do ano 1910, aos 23 anos, decidiu deixar o Velho Continente e se aventurar pelo mundo, e chegou a Santos para trabalhar como selecionador de café. Era o início de sua bonita história no Brasil. Por gostar de praticar esportes foi aos poucos se enturmando com os esportistas da cidade e com eles disputava provas de pedestrianismo na região central de Santos. E sua estatura alta chamou a atenção dos componentes de um time que estava sendo montado e ele foi escalado para defender as cores do Santos Foot-Ball Club jogando como goleiro. E ele fez sua estreia no dia 23 de junho de 1912, exatamente 70 dias após o clube ter sido fundado na Rua do Rosário 8/10, no centro histórico da cidade praiana. Essa partida é considerada como um jogo-treino e não consta da relação dos jogos do Santos. A mesma foi jogada no campo que o clube alugou mesmo antes de ter sido fundado, na Villa Macuco, na Rua Aguiar de Andrade, onde hoje se encontra a av. Engenheiro Sérgio da Cosa Mate. O adversário era um combinado de jogadores que já tinham jogado em times que outrora existiram em Santos, e o novato time venceu por 2 a 1, com gols de Geraule e Anacleto Ferramenta. Além do goleiro francês jogaram também: Simon, Ari, Bandeira, Ambrósio, Oscar, Bulle, Geraule, Esteves, Fontes e Anacleto Ferramenta. Já a partida considerada a de nº 1 na centenária existência do Alvinegro Praiano, teve como cenário o campo da av. Ana Costa, 22, chamado de Velo Santista, onde hoje se encontra a igreja do Coração de Maria. E foi no dia 15 de setembro de 1912, diante do Santos Athletic Club, que atualmente é conhecido como Clube dos Ingleses, que Julien Fauvel jogou na meta do Alvinegro se tornando oficialmente o primeiro goleiro do Santos. O novato time venceu pelo placar de 3 a 2 com dois gols de Arnaldo Silveira e um de Adolpho Millon Jr. A neófita equipe com sede no Largo do Rosário, formou com: Julien Fauvel; Sidnei e Arantes; Ernani, Oscar e Montenegro; Millon, Hugo, Nilo, Simon e Arnaldo Silveira. Ao todo na meta santista Fauvel disputou 4 partidas, o time venceu 3 perdeu uma, e foi justamente nessa derrota de triste lembrança na estreia do Campeonato Paulista de 1913 que o treinador da equipe tirou o francês do arco santista e colocou em seu lugar, Durval Damasceno termina assim a trajetória de Fauvel jogando no Santos. A trajetória no interior paulista São Carlos, no interior do estado de São Paulo foi a região distante 231 km da capital paulista que recebeu seu novo habitante que para lá transferiu indo lecionar francês para os jovens da cidade interiorana, corria o ano de 1914. Em 1914, Fauvel voltou à sua terra natal e foi combater na Primeira Guerra Mundial como voluntário. Com o final da guerra, em 11 de novembro de 1918, é condecorado com a “Croix de Guerre”, e em 1919, volta ao Brasil para morar definitivamente em São Carlos onde casou-se com Philomena Guimarães, filha do Coronel Casemiro e Izabel Ornallas de Oliveira Guimarães. Em 1932 alistou-se em São Carlos no “Batalhão 9 de Julho” tendo sido Tenente Comandante das Metralhadoras Pesadas. .. Em 1949 foi aprovado como professor do Estado de São Paulo e assumiu a cadeira de professor titular no Instituto de Educação Estadual Caetano Lourenço de Camargo, em 8/12/1949, na cidade de Jaú – SP, onde se aposentou, em 7/4/1957, ao completar 70 anos. Em 9 de julho de 1959, por seus serviços prestados ao município, recebeu o título de “Cidadão Honorário de São Carlos”. Julien Jacques Fauvel faleceu no dia 4 de setembro de 1963, em São Carlos. Os goleiros estrangeiros do Peixe Além do francês Fauvel, o Santos já teve 11 goleiros estrangeiros, a saber: os argentinos: Capuano, Cejas, Peres e Ricardo, o sueco Agne Buklund, o colombiano Henao, o húngaro José Lengyl, o tcheco Peter Timko, o espanhol Talladas, o chileno Tápia e o melhor goleiro estrangeiro na defesa da meta santista, o uruguaio Rodolfo Rodriguez.

A primeira conquista internacional do Santos

Santos e Newell’s decidiram o título do Torneio Roberto Gomes Pedrosa em partida única, no Pacaembu, na noite do dia 29 de março de 1956, uma quinta-feira. A goleada por 5 a 2 contra o time argentino garantiu a primeira conquista internacional do time de Vila Belmiro. Em março de 1956 o Santos ainda não contava com seu maior ídolo, Pelé. Contudo, já dava mostras de que estava entre as grandes equipes do Brasil e do continente. Naquele início de ano, o Peixe levantara a taça de Campeão Paulista de 1955 e foi um dos cinco clubes do Estado que disputariam, ao lado do uruguaio Nacional e dos argentinos Boca Juniors e Newell’s Old Boys, a fase internacional do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, nome oficial do Rio-São Paulo. Os clubes cariocas tentaram adiar a competição para o segundo semestre do ano, alegando que seriam prejudicados com as convocações da Seleção Brasileira que disputaria o Campeonato Sul-Americano no mesmo período. Os paulistas se recusaram, justificando que a competição já fazia parte do calendário nacional e um adiamento comprometeria a receita dos clubes. A Confederação Brasileira de Desportos intercedeu a favor dos paulistas e os cariocas retiraram-se da competição. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa desse ano foi disputado apenas por paulistas e considerado sem efeito como um Torneio Rio-São Paulo. Na fase internacional, pelo regulamento, as equipes brasileiras Santos, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Portuguesa enfrentariam apenas as estrangeiras, e a brasileira e a estrangeira mais bem classificadas disputariam a final. A Vila Belmiro foi o palco dos três jogos classificatórios do Santos. Em um sábado, 10 de março, o Alvinegro Praiano venceu o Newell’s Boys por 4 a 2, sem sustos. Vasconcelos foi o melhor em campo e autor de um gol. Pepe marcou duas vezes e Negri mais uma. Na segunda partida, dia 19, o Santos enfrentou o Boca Juniors. Era a estreia do veterano Jair Rosa Pinto. A chuva castigou o campo e os argentinos, melhores, abriram uma vantagem de 2 a 0. No segundo tempo, quando a chuva parou e o gramado secou, o Alvinegro virou para 3 a 2, com gols de Pepe, Vasconcelos e Pagão. Faltava enfrentar o Nacional, tão credenciado que seria tricampeão uruguaio em 1955/56/57. Mas aí surgiu uma malandragem nos bastidores que favorecia o Corinthians. Até ali os dois alvinegros estavam empatados em pontos ganhos, com apenas um gol de vantagem para o Santos. Mas ambos ainda tinham uma partida a fazer. O inaceitável é que, enquanto o Alvinegro Praiano enfrentaria o Nacional no dia 22 de março, o da capital só jogaria contra o Boca Juniors no dia 27, portanto já sabendo de quanto precisaria vencer para superar o saldo santista. Porém, confiante, o Santos foi para o jogo. Nem mesmo o reforço dos campeões sul-americanos Leopardi e Ambrois, da Seleção Uruguaia, fez o Nacional segurar o ímpeto santista. Depois de um primeiro tempo disputado, em que o Santos conseguiu apenas a vantagem mínima, com um gol contra de Leopardi, na segunda etapa a porteira abriu de vez: Pagão, aos seis e aos 24 minutos; Alfredinho e Urubatão completaram os, quem diria, 5 a 0 sobre o campeão uruguaio! O Corinthians venceu o Boca por 4 a 1, mas, com três gols de saldo a menos que o Santos, ficou fora da decisão. Dos estrangeiros, o melhor foi o Newell’s Old Boys, e assim Santos e Newell’s decidiram o título em partida única, no Pacaembu, na noite do dia 29 de março, uma quinta-feira. O técnico Lula escalou o Peixe com Manga, Hélvio (depois Cássio) e Feijó; Ramiro, Zito e Urubatão; Alfredinho (Sarno), Jair Rosa Pinto, Pagão (Del Vecchio), Vasconcelos e Pepe. O treinador José Ramos optou por Masueli, Griffa e Coronel; Mastrogiuseppe (depois Bovery), Sanguinetti e Etchevarria; Nardiello, Picot, Rocha (Hernandez), Reinozo (Carranza) e Urquiza (Donelutti). O britânico Harry Davis foi o árbitro. O Santos era o Brasil e muitos paulistanos foram ao Pacaembu torcer para o time das praias. Pela primeira vez a imprensa esportiva paulistana parecia se curvar a uma equipe superior aos grandes da capital. Mesmo o populista tabloide Mundo Esportivo, em sua apresentação da final, se rendeu ao belo futebol e parecia antever a formação de uma equipe vitoriosa e os anos de ouro do Santos. Todas as previsões se confirmaram. Bastante ofensivo, o Santos definiu o jogo e o título em um intervalo de 10 minutos: aos 29 Pagão abriu o marcador, aos 35 Pepe ampliou e aos 39 Vasconcelos fez o terceiro. No início do segundo tempo, Pagão, de pênalti, fez o quarto. O Newell’s diminuiu com Picot e depois Hernandez, mas Del Vecchio, que entrara no lugar de Pagão, marcou o quinto aos 36 minutos, definindo a vitória santista por 5 a 2 e o título do torneio. A façanha fez a imprensa olhar o Santos de outra forma. Não se tratava apenas de mais um fenômeno regional. O Mundo Esportivo chegou a definir o time como “uma verdadeira academia de futebol”. Ofensivo, técnico, com muitos jogadores de alta qualidade, o Santos representava um alento para o combalido futebol brasileiro que dera vexames tanto na Copa do Mundo de 1954, como no Sul-americano de 1956. Os números do time no seu primeiro título internacional mostraram isso: em quatro jogos, o Santos marcou 17 gols, média de 4,25 gols por jogo. O centroavante Pagão foi o artilheiro, com cinco gols, seguido por Pepe, com quatro, e Vasconcelos, com três. Troféu em lugar de destaque O Memorial das Conquistas de Vila Belmiro expõe na sua galeria o troféu do primeiro título internacional da história do Santos. Resgatado, identificado e restaurado, a Deusa Alada, como ele ficou conhecido, ocupa, desde então, lugar de destaque no vasto acervo de conquistas do clube.

Cejas, um goleiro argentino na meta santista

Agustin Mario Cejas nasceu em Buenos Aires, no dia 22 de março de 1945, uma sexta-feira. O goleiro do time argentino do Racing foi contratado pelo Santos em 1970 e veio para ocupar o posto que era de Laércio, pois com a contusão de Cláudio e a despedida de Gylmar do futebol, a meta santista precisava de um goleiro de muita experiência. A primeira vez em que defendeu as cores do Alvinegro foi no dia 27 de setembro de 1970, diante do Cruzeiro no Mineirão, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro, que terminou empatada em 1 a 1, com Nenê Belarmino marcando o tento santista. O Peixe, nesse empate, foi escalado por Antônio Fernandes, o Antoninho, com: Cejas, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Djalma Dias e Turcão; Clodoaldo e Lima; Manoel Maria, Douglas (Picolé), Nenê Belarmino e Abel (Léo Oliveira). Goleiro de estatura alta (1,93m), sempre se posicionava corretamente debaixo das balizas. Era hábito dele deixar a pequena área e interceptar os cruzamentos adversários, sua elasticidade era muito elogiada, bem como sua coragem. O título mais importante que Cejas obteve no Peixe foi a conquista do Campeonato Paulista de 1973, o último título do Rei Pelé no Santos e Cejas foi muito importante nesse torneio, pois na partida final diante da Portuguesa de Desportos no Morumbi, ele brilhou nas penalidades máximas defendendo duas cobranças. Os torcedores santistas consideram Rodolfo Rodriguez e Cejas como sendo os dois melhores goleiros estrangeiros que defenderam a meta do Alvinegro em toda a sua centenária história. No ano de 1973, o goleiro argentino recebeu a Bola de Ouro da Revista Placar, por ter sido eleito o melhor goleiro da temporada. Cejas permaneceu no Santos até o ano de 1974 jogando na meta praiana 252 partidas. Pelo Alvinegro ele conquistou além do Paulista de 1973, os seguintes títulos: Campeão do Torneio Hexagonal do Chile, Campeão do Torneio de Kingston e também ajudou o Peixe na conquista da Fita Azul do Futebol Brasileiro (17 partidas invictas em 1972). Depois que deixou o Santos, Cejas foi defender as cores do Huracan, na Argentina. Ele faleceu em sua cidade natal, no dia 14 de agosto de 2015, uma quinta-feira, aos 70 anos. Além de Cejas, outros três goleiros argentinos também vestiram a camisa santista: Capuano, em 1942, com apenas uma partida; Peres, em 1969, com duas partidas, e por último, Ricardo, que atuou no período entre 1976 a1978, com 57 jogos disputados.

O início da trajetória internacional do Santos

No dia 21 de março de 1954, um domingo, o Santos estreou em campos estrangeiros em La Plata, no estádio Juan Carmello Zerillo, contra o Gymnasia y Esgrima. A equipe santista conquistou um empate por 1 a 1 no jogo que marcaria o início de sua trajetória internacional. As notáveis exibições contra as maiores equipes do mundo tornaram o Santos um clube conhecido em todo o planeta. A primeira vez que enfrentou uma equipe estrangeira ocorreu em 1917, na Vila Belmiro, porém apenas 37 anos depois o Peixe realizou o seu primeiro jogo fora do Brasil, no distante ano de 1954. O time santista viajou até a Argentina para jogar nas cidades de La Plata, Córdoba, Tucumán, San Juan e Buenos Aires. Instruída pelo empresário D’Agostini e orientada pelo técnico italiano Giuseppe Ottina, a equipe estreou em campos estrangeiros em La Plata, no estádio Juan Carmello Zerillo, jogando contra o Gymnasia y Esgrima com Barbosinha, Hélvio e Feijó (depois Ivan); Cássio, Formiga e Zito; Del Vecchio, Walter, Álvaro, Vasconcelos (Hugo) e Tite. O Gimnasia formou com Riviera, Sandria e Perocino; Gonzalez, Arco e Rosário; Gallardo, Maravilla, Nazardo (Gutierrez), Martinez e Barpiã. O time argentino estava em uma boa fase e em 1953 não havia perdido nenhuma partida em seus domínios para os chamados grandes da Argentina. A expectativa de um bom jogo atraiu um grande público para a primeira partida do Peixe no exterior, proporcionando renda de 179 625 pesos. A arbitragem esteve a cargo do inglês John Dykkens. O time argentino saiu na frente, com gol de Martínez, mas o jogo estava equilibrado. Aos 26 minutos, após uma rebatida do zagueiro Hélvio para afastar o perigo da zaga santista, o menino da Vila Del Vecchio aproveitou a falha da zaga adversária e penetrou livre para chutar forte e marcar o primeiro gol da história do Santos em solo estrangeiro. Com 19 anos, Emanuelle Del Vecchio, um atacante de muita garra e com um faro de gol preciso, deixou sua marca na vida do Peixe. A excursão durou três semanas e o Santos disputou oito partidas, obteve três vitórias, três empates e duas derrotas. Além do Gymnasia y Esgrima, o Alvinegro enfrentou o San Lorenzo, o Combinado Talleres/Belgramo, o San Martin, o Atlético Tucumán e o River Plate. A primeira excursão que não aconteceu Em 1938 o Santos quase excursionou pela primeira vez para fora do Brasil. Os mexicanos estavam impressionados com a temporada internacional que o Botafogo carioca havia feito em 1936, vencendo a maioria de seus jogos em solo mexicano. Após os jogos do time carioca, a CBD recebeu diversas solicitações de clubes mexicanos convidando equipes brasileiras para excursionar pelo país do Norte, e uma dessas solicitações foi entregue ao representante do Santos no Rio de Janeiro e encaminhada à Vila Belmiro. Após discutir valores e a garantia financeira necessária para a viagem, o Santos e os clubes interessados não chegaram a um acordo, e o Alvinegro Praiano decidiu ficar por aqui, à espera de uma nova oportunidade, que acabou surgindo em 1954. Uma excursão marcante Em 1959 o Santos excursionou pela primeira vez à Europa e deixou uma marca histórica impagável. Naquela ocasião, o time era a grande sensação do futebol mundial. Com Pelé e Zito, campeões da Copa da Suécia disputada no ano anterior, a equipe ainda tinha craques como Pepe, Coutinho, Pagão, Dorval e Jair Rosa Pinto no seu elenco. A performance do Santos foi espetacular. A exaustiva jornada começou dia 23 de maio, em Sofia, na Bulgária, e terminou 5 de julho, em Sevilha, Espanha. No intervalo de 43 dias o time jogou 22 partidas em nove países, média de uma partida a cada dois dias, enfrentando campeões nacionais e times de elevada categoria, como Barcelona, Internazionale, Real Madrid, Botafogo. Mesmo assim o Alvinegro venceu 13 vezes, empatou cinco e perdeu somente quatro.